Informativo da ACALA comentado no portal do FAM

Abel Magalhães recebeu um exemplar da edição de 2011 do Informativo da ACALA e resolver comentá-lo na íntegra, do editorial ao último artigo, com conclusões.

Através da filha Margaret Jane, recebi a publicação acima, da Academia Arapiraquense de Letras e Artes,cuja leitura passo a opinar.

Editorial – Com o título Tributo a João do Pife, o editorialista abre a publicação fazendo uma homenagem à cultura popular em Arapiraca na pessoa do cidadão João Bibi dos Santos, o popular João do Pife. Interessante registro, tendo em vista não saber que o referido cidadão era filho de Arapiraca, apesar de ser um artista consagrado no domínio do pífano. Surpresa maior porque não sabia que ele tinha falecido há pouco mais de dois anos. De origem humilde, filho de agricultores arapiraquenses escreveu a sua página que ficará registrada nos anais da Terra de Manoel André. Por causa de sua veia musical ganhou fama e chegou a realizar shows por todo o Brasil, inclusive acompanhando o humorista Ludugero. Como disse o historiador Zezito Guedes, a musicalidade de João do Pife permanecerá viva na memória e na história de Arapiraca. Parabéns para ele e para o editorialista, famoso Roberto Gonçalves.

Guerreiros da Educação – O presidente Cláudio Olímpio homenageia os heróis da educação, na pessoa dos professores, os quais enfrentam inúmeras dificuldades para cumprir a sua missão. Como não são reis, imperadores,certamente não têm merecido a medalha Machado de Assis, entre outras benesses. Talvez por não serem milionários da bola, da política etc. São apenas educadores, homens das letras. Na sua singularidade têm méritos para o bem da Nação. Mostra que eles não têm recebido o reconhecimento devido. Lembra que eles enfrentam as maiores adversidades, ensinando, muitas vezes, em locais vergonhosos sem condições de trabalho e falta de material adequado, principalmente remuneração financeira justa. Mesmo assim os nossos heróis têm feito tudo para desempenhar o seu ofício com dignidade. O nosso articulista tenta resgatar esta dívida imperdoável, que é a falta de apoio, e de reconhecimento de seu valioso trabalho. Finaliza prestando a sua justa homenagem ao chamá-los de verdadeiros Guerreiros da Educação.

Acala no Brejo dos Bois – O membro Antônio Machado fala sobre uma bem sucedida visita feita à fazenda Brejo dos Bois, onde é fabricada a famosa cachaça do mesmo nome. Na oportunidade aconteceu o encontro mensal da Associação, na fazenda pertencente a um dos membros, a poetisa Inês Amorim, na cidade de Junqueiro (AL). O autor discorre sobre as belezas do lugar e a gentileza dos anfitriões. Fala sobre os alambiques da famosa cachaça e percorre suas instalações. Sobre a essência do produto, lembra o que outros dizem: “Vinho e cachaça é como o amor; quanto mais velho, melhor”. Lembra que o local serve de inspiração para os poemas da confreira mencionada. O articulista encerra reproduzindo versos do poeta Colly Flores, rimando dose de cachaça Brejo dos Bois que é melhor tomar a dois. E é a melhor das Alagoas.

Falecimento de Roberto Lúcio – Homenagem póstuma do Sr. Antônio Machado ao Dr. Roberto Lúcio, membro da Acala, falecido em dezembro de 2010. (O autor dessas linhas não sabia do fato. Apesar de ser muito amigo do falecido, só veio a saber através do Informativo).

Destaladeiras de Fumo de Arapiraca – Material de pesquisa sobre o recorrente tema das d estaladeiras de fumo de Arapiraca. O tema me fez voltar aos tempos de adolescente. Morava na fazenda e assistia todos os anos ao cantar das destaladeiras. Era por ocasião da colheita do fumo, principal produto da economia da região. Certamente o trabalho de pesquisa foi bastante árduo, pela ausência natural de fontes de pesquisa. Destaque para o Grupo Musical que mantém viva a tradição das citadas cantigas.

Ainda resta esperança – Lucicleide da Silva aborda o tema do meio ambiente com fulcro na Bíblia, através do livro Deuteronômio. Fala sobre a necessidade de educação ambiental, sem o que, corre-se o perigo de se enfrentar as reações fortes da Mãe Natureza através das tragédias naturais, observadas e vividas pela humanidade nos últimos tempos. A autora chama a atenção para os principais temas sobre o assunto como reflexão para se evitar o pior e a necessidade de conservarmos a Mãe querida – a Terra.

Geração de Pensadores X Geração de Acéfalos – O competente Carlindo Lira, em feliz comparação com o ano do seu nascimento, elabora o seu pensamento mostrando a desvantagem da censura em torno das atividades das pessoas e principalmente na fase mais propícia a sua produção intelectual e formação moral, que é a adolescência. Cita educadores que tiveram de se asilar por causa de perseguição ideológica, bem como jovens músicos, artistas em geral, militantes da política partidária e todos os segmentos que foram prejudicados pelas mentes acéfalas que dominaram o País em certa época. Seu grito de alerta ecoa em todas as partes, lembrando o refrão: “Decifra-me ou te devoro”! Meus respeitos, Carlindo.

Um manifesto pirata – Cárlisson Galdino faz abordagem sobre injustiças. Em nome de um sujeito indeterminado chamado “Eles”, protesta contra a falta de direitos; protesta contra o poder econômico; contra a falsa propaganda; contra as distorções sobre as coisas sérias, etc. Protesta, enfim, contra tudo que há de injusto – para finalizar com o arremate: “Mitos caem; o mundo muda; e não são canudos, panfletos e charlatães boiando que vão parar o verdadeiro transatlântico da evolução”. Na verdade, muita subjetividade.

Alga Espirulina – O Alimento dos Deuses – Solon Barroso fala sobre os benefícios da Alga Espirulina. Como o próprio título sugere, o autor penetra nas benesses da alga, “muito rica em nutrientes, e considerada o alimento mais completo sobre a face da Terra”. Desenvolve o tema mostrando os benefícios da desejada alga. Pena que o autor não indica o caminho mais fácil para o leitor encontrar o citado alimento e beneficiar-se de suas encantadoras vantagens. Na verdade, sente-se uma vontade imensa de acessar os referidos benefícios, para melhorar o desempenho dos órgãos um tanto envelhecidos pela ação do tempo, principalmente quem está numa idade avançada. Bela matéria.

A importância dos estudos conversacionais – A Professora Dra. Maria Francisca O. Santos destaca a diferença entre a linguagem escrita e a falada, sem ofuscar a necessidade ou importância de ambas se completarem na prática, em prol do conhecimento humano. Lembra que a conversação enfatiza a oralidade e seus desdobramentos e, em conjunto com a linguagem escrita possuem suas idiossincrasias, não havendo supremacia de uma sobre a outra e sim a idéia de sintonia. E finaliza: “Elas não se repulsam, mas se completam. E interagem entre duas pessoas”. Muito bonito.

O canto da sereia do Lago do Goiti – Navegando na história do Lago do Goiti, em Palmeira dos Índios,Gilberto Gonçalves evoca acontecimentos em torno do assunto. Lembra a sua construção através do interventor do Estado de Alagoas, General Gabino Besouro, nos idos de 1892. Lembra a grande limpeza do açude e a luta para conseguir verba pública. A sujeira que surgiu da iniciativa deixou a cidade emporcalhada. Com a liberação do açude para banho, a população não estava acostumada com águas profundas. Muitos morreram. O autor, então, associa a morte de alguns usuários à lenda do canto da sereia Xucuru/Cariri, onde a mulher-peixe seduz o banhista que morre sob a pressão da água, tentando alcançar os braços da ilusória beleza.

Ao cientista com carinho – Maria Madalena Menezes faz uma homenagem ao acadêmico Solon Barroso, realçando sua dedicação às pesquisas científicas e mostrando os caminhos percorridos pelo pesquisador. Gesto carinhoso e de grande valor. Parabéns!

E agora, Maria? – Ainda Maria Madalena que faz uma singela homenagem à sua querida mãe, d. Maria, através da poesia. Destaca a luta; a plantação que fez e a sua colheita; as lembranças distantes; e a conquista de fazer os irmãos cidadãos. Por isto, sua vida agora está serenamente eternizada sob um olhar poético, e fonte de luz.

O cordel do setentão – Roberto Gonçalves homenageia o Dr. Judá pela obra sob referência. Destaca que a citada obra foi premiada pela Academia Brasileira de Estudos e Pesquisas Literárias; que, pela sua qualidade, deve ser elevada à condição de gênero literário da melhor qualidade. Por isto, o trabalho do Dr. Judá foi premiado com o título de “Livro Medalha de Ouro”. Maravilha!

O olhar diferenciado – Erady Morais Senna faz uma reflexão subjetiva sobre a educação das nossas crianças e os nossos jovens, revelando sua preocupação com o desvirtuamento dessas criaturas do mundo ideal. Ela penetra no âmago das questões e faz os seus questionamentos, mostrando as suas inquietudes. “Estar presente é fácil. Permanecer, nem sempre”. Fala sobre as informações superficiais; a necessidade de empatia e solidariedade; a necessidade de desenvolver o bom caráter, etc. Invoca a necessidade de se ter fé; acreditar e fortalecer os padrões de dignidade e respeito. Enfim, diante de tantas situações adversas, só um olhar diferenciado pode contribuir para um resultado bem-sucedido. Um belo texto.

Nordeste sem preferência – Manoel Tenório, através dos versos, lança um olhar em defesa do Nordeste. Lembra o torrão esquecido pelos patrões, lembrando que eles manipulam o poder; lembra que a chuva passa por longe; realça a resistência do nordestino, em detrimento da falta de reconhecimento.

Experiência no Labirinto do Campestre – Égidy Amorim faz um registro especial em torno de eventual caminhada ao pôr do sol no Labirinto do Campestre. Ela mostra a força que surge da natureza cheia de contrastes. É uma pequena viagem que penetra o fundo da alma.

Vida e morte motoqueiro – Dr. Judá mostra através dos versos as vantagens e as desvantagens do meio de transporte que permeia a progressista cidade de Arapiraca, no Agreste alagoano. Diz que são tantas as motocicletas, que chegam a perturbar a ordem da cidade. Os acidentes são tantos, que se tornam naturais. O meio de transporte se popularizou tanto que serve a todos os segmentos. Transportam botijões de gás; gente e mercadoria até em reboque. Por causa da bagunça do segmento, oitenta por cento dos acidentes são provenientes do referido veículo. Dão cavalo-de-pau, transportam meninos e ultrapassam carros de todo jeito, inclusive desrespeitando os sinais de trânsito. Quando morre um motoqueiro, o velório é casa cheia e o acompanhamento é uma multidão. É o misto da praticidade do veículo e a sua vulnerabilidade. Geralmente o seu condutor se transforma na vítima em potencial.

Conclusão – E assim, termino a gostosa leitura do belo Informativo. Desejo parabenizar todos os articulistas que deram a sua contribuição através da escrita. Também aos patrocinadores que participaram com a sua contribuição financeira, razão importante para o sucesso da publicação. Por fim gostaria de dar uma sugestão: Nas próximas edições inserir reportagens sobre acontecimentos importantes registrados na ACALA e/ou congêneres, visando ao enriquecimento cultural do público alvo, bem como ensejar maior entusiasmo na leitura e no conhecimento geral.

Fonte: http://portalfam.com.br/v1/?p=1536